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#MeuLadoBasic - Isabel Wilker

18/09/2017 18:51

#MeuLadoBasic

Isabel Wilker

Por Mariana Abreu Sodré

 

A narrativa de Isabel é mais ou menos como uma colagem. Como as que ela cria, artisticamente, impressas em fine art. Em agosto deste ano, montou um site (www.itwa.com.br ), fez sua primeira exposição em São Paulo e permitiu que mais pessoas tivessem acesso a esse pedaço seu, que nasceu durante o TCC da faculdade de Letras (PUC-RJ), em 2009, e agora é resgatado.

Seu caminho atual tem um hiato, muito comum na vida de atores. Contudo, esqueça o vazio. O dela é diferente, transborda. É preenchido por artes, estudos, cursos e workshops de atuação e dramaturgia, (muitos) autores preferidos, Emílio, o vira-lata que ganhou seu coração, e Diogo, o cara. Some a isso astrofísica para leigos e alto astral. “A vida está boa. Eu poderia estar em uma fase “ai, meu Deus”, porque o momento do país é complicado, do teatro também. Esse semestre fiz só um teste para uma série e não passei. Mas estou achando ótimo ter tempo para pensar no que quero fazer. Estou com essa coisa de dramaturgia na cabeça”, diz. E dá gosto ouvir. Porque Isabel não apenas aparenta ser simples e cool. É.

Tem intensidade e não tem excessos, sabe? Mesmo correndo o risco de soar oportunista, escrevo aqui que essa personalidade é explicitada nos looks que escolhe, que veste. Isabel é de uma autenticidade, de uma coragem, tão bonitas quanto ela. “Desde que meu pai faleceu… só agora o momento do luto deu uma normalizada, uma pacificada. Foi muito duro. Agora estou numa calma”. O pai, você sabe, é José Wilker. Um ser imenso também na vida pessoal, pelo que Isabel conta. Bebel era apelido dela só para ele. Fifi é só da mãe, a atriz Monica Torres.

Com eles, Isabel cresceu cercada de livros, de arte, de muito amor. O resultado é uma mulher que se emociona, a ponto de se arrepiar quando ouve Ella Fitzgerald interpretando Cole Porter, que fica angustiada com a falta de diálogo entre discordantes, que ama ir ao cinema sozinha à tarde, diverte-se mostrando as fotos do Emílio, “ele é todo errado, e tão lindo. Parece um porquinho”, e afirma que existimos apesar do governo. Isabel é essa colagem.

Quais são suas premissas básicas?

Foco, paciência e esperança. Sempre pratiquei  ioga, parei por um tempo, e voltei em janeiro deste ano, com a Carla Azevedo. Nas aulas trabalhamos o Skalpa (intenção da prática que deve ser expandida para a vida). Esse é o meu.

O que é básico pro seu dia a dia?

Ler. Todos os dias preciso no mínimo de 5 a 10 páginas de leitura. Livros sempre foram muito básicos na minha vida desde a infância, meus pais eram leitores vorazes e o objeto livro sempre teve espaço especial nas nossas casas, e tem na minha. Eu tenho fetiche por livros, pelo objeto e pelo conteúdo. Desde o colégio carrego um livro na bolsa. Prefiro os de capa dura para não amassar, e coloco os de capa mole em uma pasta especial.

O que é básico no seu estilo?

Minha palheta de cores, que é  feita de neutros como cinza, branco, preto e azul marinho. De vez em quando coloco um pouco de cor, pontos mais coloridos.

O que é básico no seu guarda-roupa?

Camisetas, calças mais larguinhas, tecidos gostosos e tênis. Os básicos são os meus básicos.

O que é básico na sua biblioteca?

Já li quase tudo do Paul Auster, falta o mais recente. Adoro o David Sedaris (cronista americano), eu o acho hilário. Leio muito as crônicas do Oliver Sacks. Para mim, a Tatiana Salem Levy é uma autora muito especial, “A Chave da Casa”, que foi sua estreia, está sendo adaptado para o cinema. E tem também o Michel Laub, que acompanho e gosto muito. Recentemente li “Astrofísica para gente com pressa” (Neil Degrasse Tyson) e “Sete Breves Lições de Física” (Carlo Rovelli).

Que música é básica na sua formação afetiva?

Nossa, são tantas. A minha primeira memória é do meu pai ouvindo música e lendo em casa. Sempre tinha música tocando em casa, caixas de som em todos os lugares, ele colocava o iPod com playlists de mil horas e deixava. Tanto que os Ipods deles são tesouros da família. Da infância, lembro de Cat Stevens, The Mamas & The Papas, muito Caetano, depois Chico, depois Gil. Meu pai também amava Falcão e Perla. Era um às da música, ouvia de tudo, amava country americano, era eclético, tinha Thurston Moore e até Taylor Swift nas playlists dele. Mas tem um CD em particular, que estava sempre tocando, no carro, em casa, “Ella Fitzgerald canta Cole Porter”, eu sei todas as músicas de cor e fico arrepiada sempre que as ouço.

 O que é básico para seguir em frente?

De maneira geral e não só para mim, acho que é preciso ter diálogo e respeito com quem e a quem discorda das suas ideias. Sem diálogo, sem ouvir e falar e respeitar, não se avança. E estamos nesse momento em que não se pode discordar, em que uma opinião vira um problema, um unfollow, um blocked. Se a questão é política, daí é mais intenso. Talvez eu não esteja viva para assistir a normalização da política, mas sei que existo, que a gente existe apesar do governo. Que graça teria se todo mundo concordasse? Acho que, nesse ponto, chegamos em um momento bizarro, principalmente nas redes sociais. É preciso repensar e pensar para avançar. A falta de diálogo me dá agonia e cansaço.

O que é básico para ser inteira?

Inspiração, ficar sozinha, anular o meu ego.

O que é básico pra você?

Então, preciso ficar sozinha para ficar bem, para me reconectar. Saio andando sozinha, vou ao cinema. E preciso de inspiração, como disse, e para isso gosto de observar as pessoas, os movimentos delas. Nesses momentos eu também consigo me anular, porque ator é muito autocentrado, né? Eu acho que não sou uma atriz ambiciosa porque o sucesso é o oposto disso. O meu pai, por exemplo, só sumia dentro de casa e em algumas viagens. Era divertido, ele gostava, eu tinha muito orgulho do reconhecimento dele. Mas acho que não tenho a ambição da protagonista porque não é para mim, não é a minha.

 

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