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#MeuLadoBasic - Beatriz Chachamovits

26/09/2017 18:12

#MeuLadoBasic

Beatriz Chachamovits

Por Mariana Abreu Sodré

Tem Rússia, tem Polônia, tem Bahia e tem Recife em Beatriz Chachamovits. E tem um abraço que é marcante. Foi Bi Rivetti, estilista e proprietária da Lado Basic, quem comentou sobre o dito. “Uma vez fiz um projeto em que convidava as pessoas a se abraçarem por mais de vinte segundos. Depois desse tempo o corpo libera ocitocina (conhecido como o hormônio do amor), que dá uma sensação boa, oferece um lugar de delícia”, conta a artista e agitadora cultural, 30 anos. Quando o tema é a arte, Beatriz, que parece ter bem mais tempo em Terra, soa como uma menina. “Que rolê é esse? Olha essas formas, olha esses seres... fiquei muito maluca”, conta ela, citando suas reações no primeiro mergulho marítimo que realizou na vida, na Bahia de seu avô. Sua arte vem do mar.

“Era coral por todos os lados. Abriu uma porta no meu cérebro, eu reconheci algo que já conhecia na minha imaginação. Cresci em São Paulo, filha de pais extremamente urbanos, íamos muito pouco à praia. Ainda assim, em muitas das minhas brincadeiras, eu me imaginava como um peixe ou uma sereia. Minha mãe sempre fez desenhos para mim, e desenhava muitas baleias também”, detalha.

“Meu trabalho começou muito num lugar imaginário. Depois  que comecei a mergulhar, ficou mais científico. E vi que era urgente comunicar a problemática do fundo do mar: a morte dos corais e a destruição do bioma. Ou achamos novas práticas de limpar o oceano, ou, fudeu”. Sim, você leu certo, fudeu, assim mesmo, com a letra u, para maior intensidade. “Duas chinesas descobriram uma enzima que come plástico. Um cara na Austrália desenvolveu um barco que limpa 5 toneladas de lixo no mar; há coisas acontecendo, mas é muito devagar”, diz. “O branqueamento dos corais é uma questão muito importante. E acontece porque o coral é um ser simbiótico, vive em harmonia com uma alga. Quando o mar esquenta, como reação do aquecimento global e da ação humana, o coral fica estressado e expulsa essa alga. Daí, perde a cor e a fonte primordial de alimento... só fica o esqueleto de calcário dele, que é branco”, diz. “Por isso todas as minhas esculturas são brancas, para falar a partir da morte, chamar a atenção para o que está acontecendo”.

Beatriz faz esculturas de até 4 metros. No meio do papo, lembro de uma instalação de Beatriz, com peças que caberiam na palma da mão, exposta nos Arcos do Theatro Municipal de São Paulo. Era uma caixa preta, em que você entrava e ficava cercada pelos corais brancos. “Fiz como um caixão”.

A obra era parte do projeto IScream, que leva a arte para lugares improváveis, com obras site specific de jovens artistas. Beatriz é uma das cabeças da jornada, junto com Caroline Kielmanowicz e Rafael Menôva. Vão para a sexta edição.

“Escolhi a faculdade de Artes Plásticas porque amava desenhar e, de uma forma bem ingênua, pensei: vou fazer isso da vida. Ali já entendi que era muito mais”, relembra. Em outro momento ela cita Ferreira Gullar e dá o crédito, “A arte existe porque não basta só viver”. Comprove em beatrizchachamovits.com. Por aqui, depois de emergir desse mergulho profundo e leve que é Beatriz, abriu uma porta no cérebro. E deu vontade de (re)ler “Água Viva”, livro de Clarice Lispector.

PERGUNTAS BÁSICAS

Quais são suas premissas básicas?

Não julgar os outros. Porque nunca sabemos o que está passando com os outros. E me respeitar. Porque eu já me ultrapassei e vi que é um problema. Respeitar o outro e me respeitar é isso. Não sei fazer de outro jeito. A gente vive em um rizoma.

O que é básico pro seu dia a dia?

Açaí. Acordo e tomo porque me dá uma energia e uma força vital absurda. Não pode faltar. Tenho um fornecedor (rs), que entrega sem guaraná, com muito menos açúcar, quase que com aquele gosto terroso do açaí de verdade. E, recentemente, coloquei o café na minha vida.

O que é básico no seu estilo?

Tenho uma pira em calça. Sempre uso porque acho que tem a ver com business, traz uma coisa masculina, e daí deixa na borda do que é feminino e masculino.

O que é básico no seu guarda-roupa?

Muitas calças. De diferentes estilos.

O que é básico na sua biblioteca?

“Água Viva” da Clarice Lispector. Abre meu cérebro, é muito importante, me deixa arrepiada.

Que música é básica na sua formação afetiva?

Diana Ross and The Supremes. Por causa dos meus pais, com certeza.

O que é básico para seguir em frente?

Quando estou meio down olho para as minhas conquistas pessoais, olho para trás para ir em frente.

O que é básico para ser inteira?

Felicidade, cara. Energia positiva. O frescor de me relacionar com as pessoas, a troca.

O que é básico pra você?

O que é horizontal e coletivo. O coletivo é a força, e não mais a unidade. O coletivo traz uma generosidade.

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