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#meuLadoBasic - Alexandra Benenti

18/01/2017 23:23

#MeuLadoBasic

ALEXANDRA BENENTI

@ale_benenti

Será que pode-se usar (ok, inventar) o termo ítalo-carioca para descrever alguém? O correto seria ítalo-brasileira (o), óbvio. Mas e daí? Pra quê regras que subtraem ao invés de somar? Pra quê? Se a ideia é legendar Ale Benenti, então fica decidido que a fantasia, a invencionice, valem. E você vai entender o porquê.

Aos 28 anos, a mais nova stylist da Vogue Brasil é dessas cariocas que leva a coisa na alma. Vive em São Paulo porque gosta de trabalhar com moda e com mercado editorial. Gosta de contar histórias por meio das imagens que constrói… porque ela foi do cinema. Trabalhou como assistente de direção nas principais produtoras do Rio antes de migrar para o figurino e para a moda, portanto, valoriza o poder do storytelling, do enredo, da personagem. Pergunto a ela: qual a sua história? Ela responde “Que parte?” Sugiro que ela escolha. E ela vai para o capítulo Milão, cidade em que viveu, estudou e trabalhou para a Vogue L’UOMO. “Escolhi morar lá porque odiava a cidade e queria focar nos estudos. Em Nova York teria grandes chances de ser sugada pelas lojas, em Londres, pela cena cultural. Milão era chato para mim, então, fui para lá”.

“Desde que eu cheguei, saía à noite e falava para todo mundo que eu trabalhava na Vogue... e não trabalhava. Mentia mesmo”. “As pessoas me diziam: mas eu não te conheço e sou amigo de fulano e ciclano que trabalham lá. Eu respondia ‘Eu que não conheço você, desculpas’... e saia andando”, conta e ri. “Então, acho que fui trabalhar lá, na Vogue Itália, pelo poder da palavra”. Silêncio. “Na verdade o IED, onde eu estudava, mandou o meu currículo”, completa e ri. “Fui chamada para uma entrevista e foi uma experiência maravilhosa”. Chegou ao Brasil e mandou e-mail, com portfólio anexado, para a editora de moda e jornalista Maria Prata. “E ela é minha madrinha profissional, junto com a Patricia Carta”, diz.

Na Vogue Brasil, ela retomou sua história com a icônica revista. “Vivo pelos shoppings carregando sacolas, quem me vê e não sabe o que eu faço, certamente pensa que sou uma louca consumista”. Não é. Demora a fazer compras. “Só compro quando continuo querendo a peça depois que a temporada passou.” Desde sempre gosta de usar bodies ou maiôs como roupas, “coisa do Rio”, explica.

Vai ao Parque do Ibirapuera aos finais de semana para ter horizonte diante dos olhos, “aprendi a amar São Paulo mas ainda não me acostumei com essa coisa croppada da cidade”, conta, já pensando em imagens outra vez: “Leio Murakami e imagino aquele surrealismo em uma foto de moda”.

OS BÁSICOS DE ALÊ

Quais são suas premissas básicas?

Estar bem comigo. Não tem padrão, não tem regra. Tem é que vestir o que se quer vestir, fazer aquilo que te faz bem.

O que é básico pro seu dia a dia?

Aquele momento para mim. Trabalho muito, preciso parar para ver um filme, uma série, preciso de uma pausa diária para desligar, e até para estimular o criativo. É ver um filme, amo o Wes Anderson, ou malhar, encontrar uma amiga, nem que seja por uma hora. Quando tenho muita coisa para fazer, adio por uma hora e tenho esse momento. Prefiro trabalhar até de madrugada e ter esse respiro do que ir direto.

O que é básico no seu estilo?

É engraçado: sou básica para São Paulo, já no Rio eu sou considerada montada. Mas o conforto é básico para mim.

O que é básico no seu guarda-roupa?

Tênis. Dei graças a Deus que o tênis voltou para a moda. E também tem a calça jeans preta de cintura alta, que é essencial para mim. No inverno uso com bota, no verão com tênis, dobro a barra. Ah, amo moletom. Pago caro por moletom bonito, invisto, saio à noite de moletom, coloco uma make, um saltão e vou.

O que é básico na sua biblioteca?

Todos os livros do (Haruki) Murakami. Adoro ler o mesmo livro que amigos estão lendo porque gosto de dividir opiniões, a raiva das personagens, o encantamento, tudo. Tenho um ex-namorado que é escritor. Gosto das dicas dele, de ler junto com ele porque sou ansiosa, preciso realmente trocar. Ah, e dou umas roubadinhas, leio o final do livro, abro em páginas aleatórias e leio uma frase, sabe? Daí fico, “Ohhhhhhh, não acredito que isso vai acontecer” (ri). Sou dessas. Quando comecei a ler Murakami, liguei para esse meu ex, o Vitor (Paiva, poeta).... “Eu não entendi esse capítulo”, e ele respondeu: “Ok, mas não é lindo? Por que precisa fazer sentido?” Aí, percebi que na vida, na literatura, na arte, na moda você pode fazer algo lindo, que mexe com as pessoas de maneiras diferentes, sem precisar fazer muito sentido.

Que música é básica na sua formação afetiva?

Gosto de rock, de Nirvana. Posso falar? Música é muito relacionada com momentos da vida mesmo, né? Pode ser axé, se está ligada a um bom momento da vida, fica maravilhosa, toca na memória afetiva como o cheiro, sabe?

O que é básico para seguir em frente?

Todo editorial que eu faço, eu me prometo que será o último da minha vida. Quando vejo ele pronto, fico desejando o próximo… quando a missão está cumprida e gosto do resultado, quero mais. Isso é o meu estímulo.

O que é básico para ser inteira?

Acho que é isso: sentir-se bem consigo. Olhar no espelho e estar certo, estar feliz no trabalho, com os amigos, estar confortável com tudo. Claro, não é fácil. E essa é a parte boa, porque, cara, preciso de uns dramas para não cair no tédio. Preciso disso tudo para me sentir inteira e, ainda, estar cercada das pessoas que gosto. O espiritual é cada vez mais importante para mim, porque no meio da moda, tem muita vaidade, futilidade, mesmo: você tem que ser magra, rica, sua roupa tem que estar incrível… e comecei a entrar um pouco para o espiritismo para me proteger de tudo isso.

O que é básico pra você?

Gosto do simplérrimo. O simples é chique. É básico.

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